Abril de 2026 · Reabilitação postural

Dor nas costas: causas e caminhos de cuidado

Você já tentou de tudo. Anti-inflamatório, alongamento, pilates, massagem. A dor melhora por alguns dias — e volta. Às vezes mais forte do que antes. Não é falta de esforço. É que ninguém ainda chegou na origem.

A dor lombar é um dos sintomas mais mal tratados da medicina moderna

Não porque faltam profissionais competentes. Mas porque o corpo é tratado em partes — e a dor nas costas raramente começa nas costas. Na maioria dos casos, o que está por trás da dor lombar crônica é uma combinação de dois fatores: desorganização abdominal e postura alterada. Os dois juntos, agindo há meses ou anos, sobrecarregam a coluna com uma pressão que ela não foi feita para suportar sozinha. Isso afeta todo tipo de pessoa — mulheres com e sem filhos, homens em qualquer idade, adolescentes.

O que está acontecendo quando a dor não passa

Existe um fenômeno bem documentado pela ciência que explica por que a dor lombar crônica é tão difícil de tratar com abordagens convencionais. A dor cria uma desconexão: o músculo existe, mas o sistema nervoso deixa de recrutá-lo com eficiência. Quando o músculo profundo não trabalha, os músculos superficiais assumem uma carga que não é deles. A coluna começa a compensar. E a dor se torna crônica. É um ciclo: a dor gera desconexão, a desconexão gera instabilidade, a instabilidade gera mais dor.

Sarcopenia — não é só coisa de idoso

Em casos mais avançados, especialmente em pessoas com histórico de sedentarismo ou desconexão corporal, o músculo perde massa e função — condição chamada sarcopenia. Pesquisas recentes mostram que mais de 1 em cada 10 jovens adultos apresenta sarcopenia, causada não apenas pelo envelhecimento, mas por inatividade e desconexão neuromuscular. Um paciente com mais de 45 anos chegou ao Instituto Farago com dor aguda e dificuldade real de sentar. A musculatura abdominal profunda estava desconectada — sem função real, sem capacidade de distribuir a carga que a coluna suportava sozinha. A partir do trabalho de reabilitação abdominal, a distribuição de carga mudou, a coluna deixou de trabalhar sozinha e a dor foi cedendo.

O erro mais comum — e o mais caro

A maioria das pessoas com dor lombar crônica acredita que está fazendo os exercícios certos. O problema não é o esforço — é a execução. Quando há desconexão neuromuscular, o corpo recruta os músculos errados para fazer o trabalho dos certos. A pessoa acredita que está contraindo o core e na verdade está gerando pressão, compensando com musculatura superficial, agravando a sobrecarga na coluna. A partir do momento em que a pessoa aprende a recrutar o músculo certo, com qualidade, o resultado aparece em muito pouco tempo.

A postura que piora com o tempo

A postura alterada não é um problema estético — é um sinal de que o centro do corpo perdeu a capacidade de sustentar o eixo. Quando o abdômen não funciona como deveria, a coluna assume uma curvatura compensatória. Os ombros caem. O pescoço avança. O quadril desalinha. Nos adolescentes, esse processo é ainda mais silencioso — e mais impactante. A postura comprometida numa fase de desenvolvimento afeta a forma como o jovem se percebe e se sente no próprio corpo. A transformação quando a reabilitação postural começa é uma das mais visíveis e mais rápidas que existe.

O que o tratamento faz

O tratamento reativa a musculatura que deveria estar sustentando a coluna e não está. Quando o centro do corpo volta a funcionar, a sobrecarga diminui, a dor cede, o movimento melhora. A diferença está em como esse trabalho é feito — não é quantidade de exercício, é qualidade de recrutamento. Chegar no músculo certo, com o estímulo certo, no momento certo.

Para quem é esse tratamento

Para qualquer pessoa que convive com dor lombar que não passa — independente de ter feito cirurgia, de ter ou não filhos, de ser jovem ou adulto. Mulheres com e sem histórico gestacional. Homens com sobrecarga postural pela rotina de trabalho. Adolescentes cujo corpo está crescendo num eixo comprometido. O ponto em comum é sempre o mesmo: um centro do corpo que perdeu função — e que, quando reativado, transforma tudo ao redor.

Paty Farago é especialista em reabilitação abdominal e postural com 14 anos de atuação. Atende presencialmente em Brasília e online para todo o Brasil.